Apóstolo Paulo era gay?
1/4/20262 min read


Será verdade?
Essa é uma discussão que ganhou força em alguns círculos teológicos liberais há alguns anos e em podcasts mais recentemente.
Mas é importante separar o que é fato histórico do que é interpretação moderna.
Não existe nenhum historiador antigo ou contemporâneo de Paulo que mencione que ele era gay. Na verdade, o conceito moderno de "orientação sexual" nem sequer existia no primeiro século.
Aqui está a explicação de onde surgiu essa ideia e por que ela é considerada uma teoria moderna (e não um registro antigo):
1. A origem da teoria: Bispo John Shelby Spong*
A sugestão de que Paulo poderia ter sido um homossexual reprimido não veio da antiguidade, mas de um livro de 1991 chamado "Rescuing the Bible from Fundamentalism", escrito pelo bispo episcopal John Shelby Spong.
*O bispo aposentado de Newark, John Shelby Spong, um autor de best-sellers e clérigo conhecido por sua teologia progressista e seu apoio ao clero LGBTQ + na Igreja Episcopal. Faleceu em 2021 aos 90 anos.
O argumento dele: Spong especulou que o famoso "espinho na carne" (mencionado por Paulo em 2 Coríntios 12:7) seria uma luta interna contra a atração pelo mesmo sexo.
A base: Ele baseou isso na forma intensa como Paulo fala sobre o pecado e o corpo, sugerindo que sua rejeição apaixonada à homossexualidade em Romanos 1 poderia ser uma "projeção" de seus próprios conflitos.
2. O que a literatura antiga realmente diz?
Nenhum texto da época — seja bíblico, apócrifo ou histórico — dá suporte a essa ideia.
Celibato: Paulo afirma claramente ser solteiro e recomenda o celibato (1 Coríntios 7), mas ele enquadra isso como uma escolha espiritual para se dedicar totalmente à pregação, algo comum em certas seitas judaicas (como os Essênios) e escolas filosóficas da época.
Tradição Judaica: Como Paulo era um fariseu rigoroso e membro do Sinédrio (ou candidato a ele), a maioria dos historiadores acredita que ele provavelmente foi casado em algum momento da juventude, pois o casamento era quase obrigatório para homens judeus que ocupavam cargos de liderança religiosa. A teoria mais aceita é que ele ficou viúvo ou que sua esposa o deixou quando ele se converteu ao cristianismo.
3. Por que isso apareceu em podcasts?
Essa teoria costuma ser citada em podcasts que discutem "psico-história" — uma técnica onde se tenta analisar a psicologia de figuras históricas com base em seus escritos.
Quem defende essa ideia usa o fato de Paulo viajar sempre com companheiros masculinos (como Timóteo e Tito) e usar linguagem afetuosa.
No entanto, historiadores sérios rebatem que a amizade masculina profunda era o padrão cultural da época e não implicava sexualidade.
Resumo do Fato Histórico
Evidência Antiga: Zero. Não há nenhum relato de historiadores romanos ou pais da igreja sugerindo isso.
Evidência Bíblica: Paulo escreve condenações explícitas a práticas homossexuais (conforme o entendimento da cultura judaica da época).
Conclusão: A ideia de que Paulo era gay é uma especulação teológica do século XX, baseada em uma leitura "psicológica" e especulativa de suas cartas, e não em registros biográficos ou fatos históricos.
Se você tiver curiosidade sobre o que era esse "espinho na carne" que gerou tanta confusão, eu posso te mostrar as outras teorias históricas (como doenças físicas) que são muito mais aceitas pelos estudiosos.
Gostaria de saber mais sobre isso?
