Além dos Temperamentos

1/18/202617 min read

ALEM DOS TEMPERAMENTOS

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Se você chegou aqui por causa da minha postagem no Instagram (@ffliberato1102), ótimo — aqui eu quero aprofundar o tema. Se você veio direto pelo site, fico feliz também, e vou contextualizar tudo para que possamos crescer e nos edificar mutuamente.

Introdução

Vivemos num tempo em que muita gente, na busca por sentido, identidade e compreensão da vida, acaba abraçando rótulos que parecem oferecer uma explicação rápida — e, não raras vezes, uma forma de justificar atitudes.

Com os temperamentos, acontece algo parecido:
Alguém mais explosivo costuma dizer: “Eu sou assim mesmo, eu falo na lata; sou colérico.” Outro, mais impulsivo e expressivo, que às vezes age sem medir as consequências, afirma: “Eu ajo no impulso, mas é meu jeito; sou sanguíneo.” Já quem luta com pessimismo, autocrítica, tristeza, perfeccionismo e tende a se isolar pode concluir: “Eu sou muito crítico e fico preso nos detalhes; sou melancólico.” E há também quem, por ser mais passivo e demorar para decidir, acabe adiando escolhas e evitando mudanças, dizendo: “Eu preciso de tempo, não gosto de pressa nem de mudança; sou fleumático.”

Eu sei que essas categorias também apontam pontos positivos. Mas eu estou destacando os riscos — porque é justamente aqui que muitos se apoiam: o temperamento deixa de ser uma descrição e vira um álibi. E quando isso acontece, a pergunta não é apenas “qual é o meu perfil?”, e sim: o que eu faço com ele diante de Deus?

Vamos entender um pouco de como surgiu esta categorização de temperamento.

É importante notar que, embora a Teoria dos Quatro Humores seja frequentemente associada a Hipócrates e à tradição médica ligada ao seu nome, ela foi consolidada e expandida séculos depois por Galeno.

Hipócrates de Cós (c. 460 a.C. – 370 a.C.) é amplamente considerado o “Pai da Medicina”. Ele foi um médico grego do período clássico, ligado a uma família tradicional de médicos (os Asclepíades) e tornou-se figura central do que hoje chamamos de Tradição Hipocrática, que ajudou a firmar a medicina como uma prática mais sistemática.

O Corpus Hippocraticum, coleção associada ao seu nome, reúne cerca de 60 tratados médicos (de diferentes autores e períodos) que abordam temas como ética profissional, diagnóstico, tratamentos e práticas médicas diversas.

Num mundo em que explicações religiosas para doenças eram comuns, esses textos contribuíram para fortalecer uma abordagem mais natural e observacional, buscando causas no corpo, no ambiente e no estilo de vida.

Em “Sobre a Natureza do Homem” (De Natura Hominis), atribuído à tradição hipocrática, encontra-se a formulação clássica dos quatro humores e a ideia de que a saúde depende do equilíbrio entre eles:

“O corpo do homem contém em si sangue, fleuma, bile amarela e bile negra; estas coisas constituem a natureza do seu corpo e por meio delas ele sente dor ou goza de saúde. Ele goza de saúde perfeita quando esses elementos estão em proporção mútua, tanto em característica quanto em quantidade, e quando estão bem misturados.”

A Teoria dos Quatro Humores

Inicialmente, essa explicação parecia tratar principalmente de saúde física: uma lógica de causa e efeito baseada na observação do corpo. Com o passar do tempo, porém, essa maneira de pensar foi desdobrada por autores posteriores e passou a influenciar também explicações sobre temperamento e comportamento.

1) O cérebro como sede da consciência

Diferente de muitos de seus contemporâneos, que atribuíam emoções ao coração, textos da tradição hipocrática deram grande destaque ao cérebro como centro das percepções e das emoções. No tratado Sobre a Doença Sagrada (sobre a epilepsia), lê-se:

“Os homens devem saber que do cérebro, e somente do cérebro, derivam nossos prazeres, alegrias, risos e gracejos, assim como nossas tristezas, dores, lutos e lágrimas.”

2) Humores e explicações “naturalistas”

Na tradição médica antiga, tornou-se comum explicar certas disposições humanas a partir do equilíbrio ou desequilíbrio dos humores. Mais tarde, sobretudo na tradição posterior (incluindo sistematizações associadas a Galeno), os humores foram relacionados a quatro tipos de temperamento, frequentemente conectados também aos quatro elementos (terra, ar, fogo e água):

1. Sangue (sanguíneo): relacionado ao ar; associado a pessoas mais alegres, otimistas e comunicativas.

2. Fleuma (fleumático): relacionada à água; associada a pessoas mais calmas, lentas e constantes.

3. Bile amarela (colérico): relacionada ao fogo; associada a pessoas impulsivas, determinadas e por vezes agressivas.

4. Bile negra (melancólico): relacionada à terra; associada a pessoas reflexivas, profundas e mais propensas à tristeza.

Nessa linguagem médica, o equilíbrio era descrito como eucrasia, enquanto o desequilíbrio — ligado a doenças e a alterações marcantes do humor — era chamado de discrasia. Também se falava em qualidades como quente/frio e seco/úmido para descrever estados corporais e predisposições.

3) Ética médica não é teologia moral

O conceito de “pecado” como transgressão moral contra Deus é central nas tradições Abraâmica (judaísmo e, mais tarde, cristianismo). Já nos tratados médicos da tradição hipocrática, a explicação para doenças e comportamentos problemáticos tende a aparecer em termos fisiológicos e ambientais: corpo, dieta, clima, hábitos e condições de vida.

Hipócrates é lembrado também por um código ético rigoroso, conhecido como o Juramento de Hipócrates, cuja ênfase está no dever do médico para com a vida e com sua prática — e não em ideias de prestação de contas pós morte, próprias de outros campos.

Resumo

A visão associada à tradição hipocrática pode ser considerada naturalista, no sentido de buscar explicações naturais para doenças e disposições humanas. Nessa perspectiva, para mudar comportamentos ou reduzir certos desequilíbrios, o foco recai sobre tratamento do corpo e ajustes no ambiente e no estilo de vida — enquanto categorias como arrependimento diante de Deus pertencem ao campo religioso e moral, não ao da explicação médica antiga.

Eis que surge uma “luz de advertência”

É aqui que acende uma “luz de advertência” para o cristão. O problema não é reconhecer que o corpo influencia emoções e comportamentos; o problema é adotar o materialismo/naturalismo como cosmovisão, como se ele fosse a explicação final do que somos.

Quando isso acontece, surgem brechas para um conceito distorcido de identidade e responsabilidade: rótulos de temperamento deixam de ser descrições limitadas e passam a virar justificativas morais — “eu sou assim mesmo”.

E é assim que certas ideias entram com aparência de neutralidade, como se viessem apenas com o selo da autoridade científica, mas carregam pressupostos que competem com a verdade de Deus. “Ora, a serpente era o mais astuto…” (Gn 3.1). Por isso, somos chamados a discernir e confrontar “sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (2Co 10.4–5).

O que a Bíblia nos diz sobre a condição do homem?

A história da raça humana nas Escrituras começa com a criação do homem em um estado de bondade e harmonia (Gn 1–2), segue com sua rebelião contra Deus (Gn 3) e revela, desde o início, o plano de redenção do Senhor para trazer o homem de volta para perto de si.

Segundo Wayne Grudem, podemos definir o pecado como “qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus em atos, atitudes ou natureza”. Isso significa que o pecado não é apenas um erro pontual aqui e ali. Ele envolve atos externos, atitudes do coração e também uma condição moral interna que nos inclina para longe de Deus.

A Bíblia deixa claro que o pecado pode existir mesmo quando não aparece “por fora”. O décimo mandamento diz: “Não cobice…” (Êx 20.17). Ou seja, Deus trata não apenas do comportamento, mas também do desejo e da intenção. No Sermão do Monte, Jesus condena a ira (Mt 5.22) e a cobiça/lascívia (Mt 5.28) como pecados do coração. Paulo também inclui ciúmes, iras e egoísmo entre as obras da carne (Gl 5.20), em contraste com o fruto do Espírito (Gl 5.22).

Não é por acaso que o maior mandamento exige amor total: “Ame o Senhor… de todo o seu coração…” (Mc 12.30). A Escritura é direta ao diagnosticar nossa condição moral: estávamos “mortos em transgressões e pecados” (Ef 2.1–3), “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). E Paulo explica que a ira de Deus se revela contra a impiedade humana, pois os homens suprimem a verdade, não glorificam a Deus e acabam obscurecidos em seu entendimento (Rm 1.18–22).

Deus é santo (Dt 32.4; Tg 1.13) e faz todas as coisas segundo o conselho de sua vontade (Ef 1.11). Em Gênesis, tudo o que Deus criou “era bom” (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25) e, ao final do sexto dia, “muito bom” (Gn 1.31). Isso não comunica apenas beleza e harmonia, mas também retidão: era uma criação moralmente correta, alinhada ao Criador.

Em algum momento, houve rebelião no mundo angelical, com a queda de Satanás e de outros anjos. Porém, o pecado entra na humanidade de modo decisivo com Adão e Eva (Gn 3.1–19). Deus havia dado uma ordem clara: “da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá” (Gn 2.17).

A serpente, então, relativiza a Palavra de Deus: “É certo que vocês não morrerão” (Gn 3.4). Ela coloca em dúvida a veracidade do Senhor e apela ao desejo de autonomia: “vocês serão como Deus” (Gn 3.5). Eva come, dá a Adão, e ele também come (Gn 3.6–7). A rebelião acontece: o homem escolhe seu próprio caminho em vez de confiar no Criador.

A culpa do pecado de Adão alcança toda a humanidade. Paulo escreve: “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado veio a morte; assim também a morte passou a toda a humanidade” (Rm 5.12). Ele acrescenta que muitos foram feitos pecadores pela desobediência de um só (Rm 5.18–19). Ou seja, a queda não foi apenas um episódio isolado; ela inaugurou uma condição humana marcada por pecado e morte.

As consequências aparecem rapidamente. Aquilo que era dom e harmonia se torna conflito. Na própria narrativa, Adão passa a transferir culpa e a relação se rompe (Gn 3.12). Fora do Éden, Adão e Eva têm filhos, Caim e Abel. Tomado por ira e inveja, Caim mata seu irmão (Gn 4.8–16). A violência cresce, e a desordem se espalha na sociedade. A Escritura descreve a escalada do mal de forma contundente: “o Senhor viu que a maldade das pessoas havia se multiplicado na terra e que todo desígnio do coração delas era continuamente mau” (Gn 6.5). Isso desemboca no juízo do Dilúvio (Gn 6–9).

E, de alguma forma, essa história antiga continua revelando a nossa própria história. Nós também experimentamos, por dentro e por fora, os efeitos dessa queda.

Mas há boas novas. Mesmo no momento da queda, Deus já anuncia redenção. Ele declara à serpente: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15). Essa promessa aponta para a vitória final do descendente da mulher.

Isso se cumpre em Cristo Jesus. Ele veio para vencer o pecado, resgatar o homem e promover a justiça de Deus. Paulo escreve: “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher… para resgatar… a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4–6). Jesus mesmo é apresentado como a expressão do amor redentor de Deus: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (Jo 3.16–18). E João conclui: “Nisto consiste o amor… em que Deus enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.9–10).

Como isso se aplica ao meu temperamento?

A redenção em Cristo não trata apenas da culpa do pecado (passado - leia Ef 2.8; 2Tm 1.9; Tt 3.5; At 4.12; Rm 10.9), mas também nos liberta do poder do pecado (presente - leia Rm 5.10; Hb 7.25; 1Co1.18) e, no fim, nos livrará da presença do pecado (futuro - Rm 13.11; 1Ts 5.8-9; Hb 9.28 e 1Pe 1.5). Em outras palavras: Deus não apenas “perdoa”; Ele transforma.

O alvo de Deus é nos restaurar segundo a imagem de Jesus: “Pois aqueles que Deus de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). E essa maturidade é descrita como crescimento “à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).

Na queda, o homem distorceu sua identidade e seu senso moral, e passou a encontrar formas de justificar o que faz de errado. Mas Jesus veio para restaurar a criação de Deus na vida daqueles que se relacionam com Ele por meio do Evangelho.

Por isso, fica claro que aquilo que chamamos de temperamento também foi afetado e distorcido pelos efeitos da queda. Ele pode influenciar tendências, reações e facilidades — mas não pode governar nossa vida como se fosse destino. O temperamento precisa ser moldado pela Palavra de Deus, e não usado como rótulo para desculpar pecado.

“Mudança é esforço humano; transformação é graça divina.”


“Mudanças podem ser externas e temporárias; a transformação de Deus é interna e duradoura.”

Aqui vale uma distinção importante: muitas abordagens trabalham no campo da reforma — isto é, dar uma nova forma ao que já existe, com ferramentas úteis como autoconhecimento, regulação emocional, hábitos saudáveis, reestruturação de pensamentos e comunicação. A linguagem bíblica, porém, vai mais fundo: ela fala de regeneração — Deus trazendo vida nova onde havia morte, trocando o coração e renovando a mente.

👉 Em resumo: o cristão não é chamado a dizer “eu sou assim mesmo”, mas a dizer: “em Cristo, eu estou sendo transformado”.

Vamos avançar!

Eu sei que você quer que eu vá direto ao ponto: “Como a Bíblia pode me ajudar a lidar com o meu temperamento?”

E aqui está a minha ênfase: no fundo, não é apenas “lidar com o temperamento” — é ser transformado pela Palavra de Deus e pela ação do Espírito Santo em nós. Temperamento pode descrever tendências, mas não pode governar nossa vida, nem servir de desculpa para pecado.

Ainda assim, para responder de forma prática à sua pergunta — e para mostrar como a Bíblia nos orienta no dia a dia — eu vou fazer aplicações para cada “temperamento”. Eu uso aspas de propósito, porque tenho visto muita gente reduzindo a própria identidade a rótulos, quando Deus nos chama a algo maior.

E se existe um conselho que serve como base para todos, ele está em Gálatas 5.22–23:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.”

Esse fruto que o Espírito Santo produz em nós é o que nos capacita a viver o ideal de Deus: submeter nossas inclinações ao governo do Espírito, aprender a responder de forma piedosa, e não no impulso e caminhar em harmonia, mesmo com personalidades diferentes.

Vamos trazer algumas definições positivas e negativas, segundo métodos modernos de avaliação de temperamentos, e fazer uma aplicação prática à luz da Palavra de Deus em diferentes contextos.

1) Colérico (o líder)

Definição: direto, decidido e orientado a resultados; gosta de controle e ação.

Características positivas

  • Determinado

  • Corajoso

  • Prático e objetivo

  • Liderança e iniciativa

⚠️ Características negativas

  • Impaciente

  • Autoritário

  • Explosivo (temperamento forte)

  • Dificuldade de ouvir e ceder

Colérico: como reagir à luz da Bíblia

Quanto a conflitos:
“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. A língua dos sábios adorna o conhecimento, mas a boca dos insensatos derrama tolices” (Provérbios 15.1,2).
Aplicação: esse conselho é precioso porque freia a reação imediata e nos chama a escolher palavras que edifiquem, especialmente quando o “ardor” do momento nos empurra para o confronto.

No trabalho:
“Que a moderação de vocês seja conhecida por todos. Perto está o Senhor” (Filipenses 4.5).
Aplicação: a liderança colérica tende a ser firme — o texto nos lembra que firmeza não precisa virar dureza. A moderação protege do autoritarismo e torna o ambiente mais saudável e respeitoso.

No ambiente familiar:
“E vocês, pais, não provoquem os seus filhos à ira, mas tratem de criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4).
Aplicação: autoridade não é licença para controlar; é responsabilidade para formar. O colérico precisa aprender a exercer liderança com amor, paciência e propósito, para não ferir aqueles que Deus colocou sob seu cuidado.

Leitura complementar: leia também Efésios 5.21-33 e 6.1-3 sobre relação de filhos com os pais e entre o casal (esposo e esposa).

No ministério:
“Mas entre vocês não será assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros” (Mateus 20.26).
Aplicação: o colérico costuma querer “liderar na frente”. Jesus ensina que a grandeza no Reino não é dominar pessoas, mas servir pessoas. Cristo redefine liderança como serviço, não como superioridade.

Síntese (observação final)

No livro de Provérbios, “sábio” não é apenas alguém inteligente: é alguém que teme a Deus e aprende a falar com discernimento. “Moderação” aponta para uma vida que se sabe observada pelo Senhor e presta contas a Ele. “Disciplina e admoestação do Senhor” mostram que o alvo da autoridade é formação espiritual, não desabafo emocional. E o modelo de serviço de Cristo coloca tudo no lugar: o colérico não é chamado a “apagar” sua firmeza, mas a ter sua força convertida em amor, mansidão e domínio próprio, pelo Espírito de Deus.

2) Sanguíneo (o comunicador)

Definição: expansivo, sociável e entusiasmado; se energiza com pessoas e novidades.

Características positivas

  • Comunicativo

  • Carismático

  • Otimista

  • Criativo e motivador

⚠️ Características negativas

  • Disperso

  • Impulsivo

  • Inconstante

  • Fala muito e ouve pouco

Sanguíneo: como reagir à luz da Bíblia

Quanto a conflitos:
“Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Efésios 4.29).
Aplicação: o sanguíneo tem a palavra como ponto forte — e exatamente por isso precisa vigiar. A fala pode ferir ou curar. Quando é guiada pelo Espírito, ela se torna instrumento de edificação e um canal de graça para quem ouve.

No trabalho:
“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Colossenses 3.23,24).
Aplicação: o sanguíneo tende a se animar com novidades e perder o foco com rotina. Este texto chama a uma motivação mais alta: trabalhar com constância, lembrando que o serviço diário também é uma forma de adoração, porque é para o Senhor.

No ambiente familiar:
“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1 Coríntios 14.40).
Aplicação: alegria e leveza são bênçãos no lar, mas Deus também nos chama à responsabilidade. O sanguíneo precisa aprender a equilibrar espontaneidade com ordem, para que seu ambiente não se torne confuso, instável ou desgastante.

No ministério:
“Que a palavra de vocês seja: Sim, sim; não, não. O que passar disto vem do Maligno” (Mateus 5.37).
Aplicação: no corpo de Cristo, carisma não substitui compromisso. A igreja precisa saber que pode contar com sua palavra. Integridade e firmeza no “sim” e no “não” protegem o sanguíneo da inconstância e fortalecem a confiança na comunidade.

Síntese (observação final)

Expressões como “edificação” e “transmita graça” mostram que Deus quer moldar nossa comunicação para servir ao próximo. “Como para o Senhor” revela que constância não depende de empolgação, mas de devoção. “Decência e ordem” apontam para um coração governado pelo Espírito, e não pela impulsividade. E o “sim, sim; não, não” chama o cristão a refletir o caráter do Deus verdadeiro, que não é confuso nem contraditório.

O sanguíneo não é chamado a apagar sua alegria, sua criatividade e sua sociabilidade; é chamado a ter essas forças disciplinadas e santificadas, para que sua vida comunique Cristo — com palavras, atitudes e fidelidade.

3) Melancólico (o analista)

Definição: profundo, sensível e detalhista; busca excelência, significado e segurança.

Características positivas

  • Organizado

  • Responsável

  • Perfeccionista (padrão de qualidade alto)

  • Leal e cuidadoso

⚠️ Características negativas

  • Autocrítico

  • Pessimista

  • Lento para decidir

  • Tende ao isolamento e à rigidez

Melancólico: como reagir à luz da Bíblia

Quanto a conflitos:
“Não tema, porque eu estou com você; não fique com medo, porque eu sou o seu Deus. Eu lhe dou forças; sim, eu o ajudo; sim, eu o seguro com a mão direita da minha justiça” (Isaías 41.10).
Aplicação: o melancólico costuma sentir os conflitos com mais intensidade e pode se recolher por insegurança ou medo de errar. Esta promessa traz descanso para a alma: Deus não apenas manda “não temer”; Ele garante sua presença, seu auxílio e sua sustentação.

No trabalho:
“Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se!” (Filipenses 4.4).
Aplicação: a busca por excelência pode gerar peso, cobrança e ansiedade. O texto não manda “fingir alegria”, mas chama a ancorar o coração no Senhor. Quando a alegria está em Deus, o trabalho deixa de ser um tribunal e passa a ser um campo de fidelidade.

No ambiente familiar:
“Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros” (Colossenses 3.13).
Aplicação: o melancólico tende a guardar mágoas, ruminar falhas e ficar preso ao que “deveria ter sido”. Este texto ensina uma prontidão espiritual: suportar, perdoar e recomeçar, lembrando que a medida do perdão não é o nosso padrão, mas o perdão que recebemos do Senhor.

No ministério:
“A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12.9).
Aplicação: o melancólico pode confundir santidade com perfeccionismo e, por medo de falhar, travar ou se esconder. Deus não exige impecabilidade. Ele chama à fidelidade — e sustenta o servo com graça, especialmente quando a fraqueza aparece.

Síntese (observação final)

Expressões como “eu sou o seu Deus”, “no Senhor”, “assim como o Senhor” e “a minha graça” revelam que a vida cristã não é movida por autoconfiança, mas por relacionamento e dependência de Deus. O melancólico não é chamado a abandonar profundidade, sensibilidade e zelo; é chamado a ter essas virtudes curadas de seus excessos: menos prisão ao medo, menos autocondenação, menos isolamento — e mais confiança, alegria no Senhor e liberdade para servir com o coração firmado na graça.

4) Fleumático (o pacificador)

Definição: calmo, estável e conciliador; valoriza harmonia e evita conflitos.

Características positivas

  • Paciente

  • Equilibrado

  • Bom ouvinte

  • Diplomático e conciliador

⚠️ Características negativas

  • Procrastina

  • Indeciso

  • Passivo e acomodado

  • Evita confrontos necessários

Fleumático: como reagir à luz da Bíblia

Fleumático: : como reagir à luz da Bíblia

Quanto a conflitos:
“Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras” (Hebreus 10.24).
Aplicação: o fleumático tende a preservar a paz evitando tensão, mas o texto mostra um caminho melhor: amar também é agir. Em vez de apenas “não criar conflito”, o cristão é chamado a incentivar o bem e se envolver.

No trabalho:
“Portanto, meus amados irmãos, sejam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão” (1 Coríntios 15.58).
Aplicação: estabilidade é virtude, mas pode virar passividade. Este versículo chama a firmeza que se traduz em constância e abundância. Deus dá sentido ao trabalho e recompensa fidelidade.

No ambiente familiar:
“Sejam fortes e corajosos, não tenham medo, nem fiquem apavorados diante deles, porque o Senhor, seu Deus, é quem vai com vocês; ele não os deixará, nem os abandonará” (Deuteronômio 31.6).
Aplicação: para manter harmonia, o fleumático pode evitar decisões difíceis. Mas há horas em que amor exige postura. A coragem aqui é confiança em Deus para assumir responsabilidades e fazer o que precisa ser feito.

No ministério:
“Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.10).
Aplicação: o fleumático costuma ser fiel e constante, e isso é precioso. O chamado bíblico é transformar essa constância em serviço intencional, usando dons para edificar o corpo de Cristo.

Síntese (observação final)
“Nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras”, “sejam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor”, “porque o Senhor, seu Deus, é quem vai com vocês” e “cada um conforme o dom que recebeu” mostram que o cristianismo não é apenas um conjunto de traços pessoais. É uma vida de serviço sob a supervisão, capacitação e direção de Deus. O fleumático não é chamado a perder serenidade; é chamado a unir paz com responsabilidade: menos adiamento, menos omissão e mais coragem, constância e entrega, para que sua presença seja não apenas tranquila, mas frutífera.

Resumindo: autoconhecimento e técnicas podem até auxiliar, mas a mudança que Deus busca não é apenas ajuste externo; é novo coração, uma nova mente e nova direção. Isso só acontece pelo poder transformador do evangelho.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).

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